NASA encontra sinais inéditos de vida em Marte

Em julho de 2024, o rover Perseverance, da NASA, coletou uma amostra de rocha marciana que está causando agitação científica: manchas em formato de “leopardo” encontradas numa rocha chamada Cheyava Falls, localizada na cratera Jezero, podem ser indícios inéditos de vida antiga em Marte.

Após um longo processo de revisão por pares, a equipe envolvida afirmou que ainda não encontrou explicações alternativas suficientemente convincentes. Essas descobertas representam possivelmente o sinal mais claro de vida já observado em Marte até agora.

O que foi descoberto: os indícios coletados

1. Cheyava Falls e a amostra “Sapphire Canyon”

  • A rocha apelidada Cheyava Falls foi perfurada pelo Perseverance em julho de 2024 para coletar a amostra denominada Sapphire Canyon.
  • Ela provém de afloramentos rochosos localizados nas bordas de Neretva Vallis, um vale fluvial conectado à cratera Jezero, que há mais de 3 bilhões de anos abrigou um lago.

2. As manchas de “leopardo” e outras feições

  • A rocha apresenta manchas escuras e irregulares (apelidadas de “manchas de leopardo”) além de estruturas menores chamadas “sementes de papoula”.
  • Instrumentos a bordo do Perseverance, como o Sherloc e o PIXL, detectaram compostos orgânicos, ferro, fosfatos, veias de sulfato de cálcio, além de hematita.
  • A presença dessas veias brancas de sulfato de cálcio é forte indicação de que a água fluía pela rocha. Água é um elemento essencial para a vida como conhecemos.

O que isso pode querer dizer

O que são bioassinaturas?

Bioassinaturas são sinais deixados por seres vivos ou processos biológicos do passado — por exemplo, estruturas microscópicas, moléculas orgânicas ou padrões que no ambiente terrestre são produzidos por vida.

No caso de Marte, a equipe da NASA definiu essas manchas como possíveis bioassinaturas, embora ressaltem que ainda não se pode afirmar com certeza que tenham origem biológica.

Alternativas geológicas

Os cientistas ainda precisam descartar explicações não-biólogicas que poderiam gerar padrões semelhantes.

Isso inclui reações químicas com minerais (por exemplo, ferro, fosfatos, sulfato de cálcio), mudanças com exposição à água, efeitos de oxidação ou variações térmicas.

O fato de haver hematita e veias de sulfato sugere condições químicas favoráveis, mas não prova por si só a existência de vida.

Importância da cratera Jezero

A Jezero é um local privilegiado para essas investigações porque:

  1. Era um lago antigo: há evidências de que ela abrigou um lago e um delta de rio, locais onde a água fluía — ambientes propícios para vida microbiana.
  2. Depósitos rochosos variados: diferentes camadas que registram processos ambientais distintos ao longo do tempo.
  3. Preservação de materiais orgânicos: as rochas e sedimentos lá encontrados têm potencial para preservar compostos orgânicos e estruturas que poderiam ser bioassinaturas.

O papel dos instrumentos do Perseverance

  • Sherloc (“Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals”): detectando compostos orgânicos e químicos que poderiam estar relacionados à vida.
  • PIXL: analisando a composição elementar, incluindo ferro, fosfatos, hematita, suas distribuições nas manchas.

Esses instrumentos permitem diferenciar entre minerais que poderiam gerar reações químicas puramente geológicas e sinais que se encaixam melhor com processos biológicos — embora, por enquanto, não haja confirmação definitiva de vida.

Limitações e desafios

  • Não há retorno da amostra à Terra ainda: muitos estudos dependem de exames realizados no rover; análises mais detalhadas em laboratórios terrestres ainda não foram feitas.
  • Orçamento e recursos: a NASA lida com restrições orçamentárias, podendo haver cortes ou mudanças nos planos de retorno e estudo dessas amostras.
  • Certeza científica: para confirmar vida passada, é necessário descartar todas as possibilidades geológicas, o que requer múltiplas linhas de evidência — químicas, estruturais, microscópicas.

Perspectivas futuras

  • Estudos laboratoriais mais aprofundados quando (e se) as amostras chegarem à Terra. Isso pode fornecer resolução e técnicas mais sensíveis do que as disponíveis no rover.
  • Missões futuras de retorno de amostras — existe interesse e planos em trazer material de Marte para a Terra, embora com desafios tecnológicos, logísticos e financeiros.
  • Busca contínua por outros sinais em Marte: em outros locais, diferentes tipos de rochas, sedimentos ou minerais, que podem esconder bioassinaturas também.

Perguntas frequentes

1. Já foi provado que há vida em Marte?
Não. Até agora são indícios — padrões, compostos orgânicos, sinais coerentes com a presença antiga de água —, mas nada que consagre a existência de vida passada de forma definitiva.

2. O que exatamente significa “sinal mais claro” de vida?
Significa que, entre os sinais já coletados, estas manchas de Cheyava Falls oferecem uma combinação de evidências químicas, minerais e estruturais que se aproximam mais do que já se viu no passado de Marte, embora ainda não confirmem vida.

3. Quando veremos os resultados mais conclusivos?
Provavelmente somente se as amostras forem analisadas em laboratório na Terra. Esses estudos demandam tempo, tecnologia, autorizações e financiamento.

4. Se for descoberta vida em Marte, que tipo de vida seria?
A expectativa é por vida microbiana antiga — organismos simples, unicelulares, que poderiam ter habitado ambientes aquáticos em Marte há bilhões de anos.

A descoberta feita pela equipe do rover Perseverance com a rocha Cheyava Falls representa um avanço significativo na busca por vida em Marte.

As manchas em leopardo, os compostos orgânicos detectados, a evidência de água antiga e a presença de minerais como hematita e sulfato de cálcio compõem um quadro promissor.

Ainda assim, a ciência exige cautela: hoje, temos o sinal mais claro até agora, mas não uma confirmação.

Essa é uma das grandes perguntas da humanidade — estamos realmente sozinhos? A cada nova amostra, a cada nova análise, estamos um passo mais próximos de saber.

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Gabriel Samy

Olá! Eu sou o Gabriel Samy, e sou o criador do Lado Curioso.

Sempre tive uma curiosidade por tudo o que a história oficial deixa de fora e por fatos que parecem bons demais para ser verdade. Foi essa obsessão por desvendar os mistérios da ciência, lendas urbanas e os truques da nossa mente que me inspirou a criar este espaço.

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